Pelotas

Os limites e as consequências de um projeto desastroso

Fernanda Miranda
Escrito por Fernanda Miranda

Por Fernanda Miranda

No último dia 15 de maio, praticamente todos os cantos do Brasil foram tomados de manifestações contra os cortes de verbas na Educação. Foram milhares de pessoas que se mobilizaram e expuseram todo seu descontentamento contra a política desastrosa de um governo que não tem nenhuma responsabilidade social e que faz política a partir de seu umbigo.

Tentando não demonstrar seu desespero, Bolsonaro tratou o tema com desdém, como se estivesse enfrentando uma “simples manifestação”. Não foi. Como já é de praxe, tentou minimizar os impactos utilizando seu linguajar grosseiro chamando os manifestantes de “idiotas úteis”, ignorando totalmente o impacto dessa gota d’água que faria transbordar todos os copos cheios que inundaram, como um tsunami, as ruas de todo o Brasil. Esse tsunami está fazendo com que o barco furado de Bolsonaro e sua turma comece a afundar. E, mais rápido do que imaginávamos.

É verdade que os cortes não começaram agora. O investimento em Educação tem diminuído gradativamente a cada ano. A EC 95 nos lembra disso todos os dias. Basta perguntar para qualquer professora quantas horas ela tem que trabalhar para poder se sustentar. Perguntar se recebe o piso, se é valorizada, se tem recursos. As salas lotadas, os problemas cotidianos, o modelo de Educação que já não faz mais sentido para o mundo que vivemos, dentre tantos outros obstáculos que não nos permitem ter uma Educação verdadeiramente libertadora. Tantas mudanças necessárias que ficam sempre à margem de qualquer governo. Se já estamos nesse caos, com menos recursos não há nem o mínimo que se sustente. Quando vimos o presidente do Brasil cortar dinheiro não só da Educação superior, mas também na Educação básica, nos questionamos: Será que ele tem noção da gravidade de sua política para nossa sociedade? É evidente que sim.

Por trás das ações de Bolsonaro e sua turma, há um projeto aniquilador e desastroso. As manifestações do dia 15 foram a primeira resposta a esse projeto que não tem respaldo na maioria da população. E, é preciso intensificar essa luta.

Quando se diz que a Educação é a base de tudo, é porque sem ela não há o que se sustente. A Educação é essencial para todo desenvolvimento de uma sociedade. Sem Educação não há saúde, não há cultura, não há tecnologia, não há dignidade humana. Sem Educação, o que resta é a barbárie.

É a Educação, principalmente a que faz a crítica, que permite a toda sociedade se rebelar. E é isso que Bolsonaro quer combater. A Educação que transforme vidas, que nos permita perceber o que representa cada ser nesse sistema, que combata as injustiças e que, principalmente, possa ser capaz de construir uma nova sociedade, onde todos sejam agentes de sua própria emancipação. Onde não haja mitos, mas sim a coletividade.

O que hoje se apresenta com Bolsonaro escancara tudo que há de pior na política: o autoritarismo, a perseguição, a censura e a morte. A irresponsabilidade, o egocentrismo, a vaidade e o egoísmo. Não há nada de construtivo. É a permissão para matar, a intensificação do ódio à diversidade, o avanço da desigualdade de gênero, de raça, a destruição do meio ambiente, a precarização total da Educação, a privatização da saúde, o massacre da classe trabalhadora, a morte de milhares pessoas que não terão como sobreviver com o projeto individualista que se apresenta.

Dentre todos esses ataques, há o interesse contundente de fazer o povo trabalhar até morrer com a reforma da previdência. Acabar com o sistema de seguridade social é trazer à miserabilidade milhares de pessoas e enriquecer mais ainda os grandes bancos com o sistema de capitalização. “Há que se fazer esse sacrifício”, dizem alguns políticos, economistas e a mídia a favor da reforma. Mas, sabemos que não há déficit e o sacrifício desnecessário será de milhões de brasileiros para que meia dúzia continue lucrando às custas de vidas. Muitas vidas.

A luta contra a reforma da previdência, juntamente com a denúncia sobre os cortes na Educação devem ser hoje nossas maiores armas contra esse governo. Essa política atinge toda a população. É nossa sobrevivência que está em risco. Portanto, há que se estar nas ruas, nas redes, nos espaços políticos fazendo pressão. É preciso estar cada vez mais organizados, traçando estratégias e ampliando nossa força e nossa resistência. São essas pautas as principais mobilizadoras e as pautas que derrotarão de vez esse governo.

É preciso, também, denunciar qualquer proposta privatista, que tenha alinhamento com o projeto econômico individualista de Bolsonaro. É importante que façamos as críticas a toda política que, de certa forma, convirja com esse projeto aniquilador. Devemos pontuar quais projetos de sociedade estão em jogo, as ideologias, muitas vezes escamoteadas pela maioria dos partidos. Nesse sentido, é preciso denunciar o projeto do PSDB no nosso estado e na nossa cidade. As privatizações que estão sempre na ordem do dia e a retirada de direitos históricos dos trabalhadores são políticas voltadas para os interesses da elite e alinhadas com o modelo econômico individualista do capitalismo, que nos levará à total destruição.

A luta contra esses projetos deve ser intensificada e o momento de se fazer a reflexão nunca foi tão promissor. Se há algo de bom no governo Bolsonaro é a expansão do debate sobre a política partidária e os projetos que estão por trás de cada agente político. Assim como devemos derrotar o projeto de Bolsonaro, pois é o fim da nossa sociedade, é preciso derrotar toda e qualquer política que seja contrária aos interesses da maioria da população, que esteja alinhada a qualquer pauta bolsonarista, pois todas levam ao mesmo fim, mais cedo ou mais tarde. E, é preciso, mais do que nunca, debater amplamente a sociedade que queremos e quais os meios para construção dessa alternativa.

Por fim, apesar de todo retrocesso, é preciso enxergar em Bolsonaro o “idiota útil” que nos faz lutar com mais força contra a balbúrdia de um projeto político irresponsável e que já está sendo derrotado. O fim deste governo está mais próximo do que imaginávamos.

Pelo que já passamos, pelo que estamos passando e pelos que virão, seguir na luta é mais que necessário. Seremos vencedores, tenho certeza disso!

Sobre a autoria

Fernanda Miranda

Fernanda Miranda

Professora, mãe, estudante de Psicologia, moradora do Areal Fundos. Estou vereadora desde Janeiro deste ano, no primeiro mandato do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) em Pelotas.

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