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PSOL e movimento Juntos entregam ofício com 4000 assinaturas contra a reabertura do comércio em Pelotas

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Escrito por PSOL Pelotas

A vereadora Fernanda Miranda, PSOL, e coletivo “Juntos! Pelotas” mobilizaram um abaixo assinado contra a reabertura do comércio em Pelotas, devido a pandemia do Covid-19. Em apenas dois dias, 4000 pessoas se somaram a iniciativa.

Confira, abaixo, documento que será entregue à Prefeita de Pelotas Paula Mascarenhas.

“À Senhora Prefeita Paula Mascarenhas

Ao Comitê de crise

De: Gabinete Vereadora Fernanda Miranda (PSOL) e Movimento Social de Juventude – Juntos

Assunto: Petição pela Não Reabertura do Comércio em Pelotas

Vimos por meio deste encaminhar reivindicação abaixo assinada por cidadãos Pelotenses, contrários a abertura do comércio na cidade de Pelotas. Sabemos que a nossa cidade ainda mantém uma baixa taxa de contágio por COVID-19 em função da acertada, até então, campanha pelo isolamento social. Importante pontuar que segundo o comitê científico de crise, há sub-notificação nos casos de contágio, fato trazido à tona pela inédita pesquisa epidemiológica realizada pela UFPEL. Além disso, o comitê alerta que o pico de contágio ainda não se estabeleceu na nossa cidade. Diante o exposto, a reivindicação presente neste documento é para que governo municipal da cidade de Pelotas tome medidas visando preservar vidas.

Segundo a própria prefeitura, Pelotas tem cerca de 340 mil habitantes e, se 10%tiverem COVID-19, serão 34 mil infectados. Se 5% destes necessitarem de cuidados especiais, serão 1700 pessoas. No entanto, Pelotas tem 57 leitos de UTI e somente 16 leitos com respiradores para atendimento no SUS. Torna-se importante salientar, também que o risco para os trabalhadores da saúde é iminente pelo número de pessoas afetadas e pelo baixo número de EPIs para estes profissionais.

Para os trabalhadores do comércio, voltar ao trabalho significa aumentar as chances de infecção e disseminação do coronavírus, pois terão que utilizar o transporte público, e se faz necessário questionar qual a possibilidade de haver plena fiscalização contra a superlotação no transporte coletivo. Além disso, é possível projetar que após a abertura do comércio haverá uma pressão para reabertura de escolas (até mesmo pela necessidade dos trabalhadores do comércio local) o que pode comprometer toda a ação de isolamento que foi promovida até o momento, colocando em risco milhares de famílias, agravando não só o problema econômico, mas de saúde pública.

Em Pelotas pelo menos 30 mil domicílios não têm condições de fazer isolamento de forma adequada caso algum membro da família seja infectado. E os dados do Brasil e do mundo já mostram que são os mais pobres aqueles que mais estão morrendo por COVID-19. Não é hora de afrouxar o isolamento!

Flexibilizar o isolamento e reabrir o comércio é colocar os lucros acima das vidas. Deveríamos estar todos na luta pelo pagamento da renda mínima, que permitiria que todos pudessem fazer o isolamento, e maior investimento na saúde, principalmente na valorização dos que estão prestando serviços essenciais e colocando suas vidas em risco, como os trabalhadores da saúde, da assistência social, da guarda municipal, dos trabalhadores do comércio essencial como mercados e farmácias.

Enquanto não tivermos capacidade de cuidar dos que irão precisar de atendimento especial para o coronavirus, o isolamento deve continuar.

Em nota sobre distanciamento social, publicada pelo ​Comitê Interno paraAcompanhamento da Evolução da Pandemia por Coronavírus da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no dia 21 de abril de 2020, há afirmação de que este não é o melhor momento para afrouxar o isolamento social, medida que é fundamental para manter baixa a taxa de casos. É notório que as universidades no Brasil, sobretudo as públicas, têm realizado uma excelente contribuição no combate ao coronavírus. Neste sentido podemos citar a participação da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) no comitê de crise oficial de Pelotas.

Portanto, munidos desta série de informações anteriormente citadas, reafirmamos: não é hora de reabrir o comércio em Pelotas! Para além disso, questionamos: Como vai haver a fiscalização? Quem vai ficar com os filhos das trabalhadoras e trabalhadores do comércio? Está se abrindo um caminho para voltar às aulas nas escolas?

Por esta razão, organizamos, através de nosso mandato, juntamente com o coletivo Juntos/Pelotas este abaixo assinado para reivindicar a não reabertura do comércio em Pelotas. Segue em anexo as assinaturas da população pelotense. Aguardamos vossa manifestação em resposta às propostas apresentadas, bem como aos questionamentos contidos neste documento.”

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