Política

A direita não tem respostas pra crise, porque não quer, o que quer é responder a quem os financia.

A cada notícia de algum programa que organize a economia para a retomada diante de uma depressão econômica histórica, ou na adoção pelo parlamento ou governos de ações de financiamento ao serviço público, seja na educação ou saúde, ou na busca de renda básica universal, neoliberais, necroliberais e seus assemelhados mais ou menos alinhados ao neofascismo vomitam o jargão: De onde sairá o dinheiro? 

E ai do autor do programa ou do economista ou do deputado dizer de onde sairá, porque o segundo “grande” argumento é coerente com a ausência de, digamos, caráter intelectual médio do grupo, que é a refutação do apontamento da fonte com algum “lei universal”.  

Exemplo? Se você diz que o financiamento da previdência pode ser feito por um apontamento de alíquotas que sem mais na elite do serviço público e esta financie os demais, e eu falo de quem ganha muito mais que os 20 mil reais por mês do topo das carreiras normais o necro liberalismo e seus amigos dizem que o serviço público é ineficaz ou que todos são elite em comparação com o trabalhador CLT ou… sim, os argumentos são sem pé nem cabeça, mas ecoam alto com propaganda midiática e diante de quem ganha um salaŕio mínimo e tem problemas com o aluguel.  

Eles jamais dizem que um profissional com doutorado no serviço público ganha menos que um profissional com doutorado no mercado em posições equivalentes. Tampouco mencionam que dificilmente um profissional do serviço público tem menos que especializaçao em sua área, ou pós-graduação lato sensu, e isso diz demais sobre seu salário. Um professor de ensino fundamental e médio precisa ter pelo menos mestrado e sue salário é menor que um profissional com mestrado no mercado. Tampouco falam de quem ganha salários estratosféricos e mais auxílio moradia e afins, tratam o servidor que atende no guichê do INSS, ou do professor universitário como se tivessem falando do Procurador Federal ou Estadual que até o paletó tem pago pela viúva. 

Se você aponta que a taxação das grandes fortunas é a solução para financiar a Renda Básica universal eles apontam que os bilionaŕios saírão do Brasil, sem citar que existem leis, bastante inteligentes, para evasão de divisas, que existem limites de onde alocar dinheiro, que existe o risco de abertura de inquérito e que poucos países são interessantes para que toda a grana destas seres consigam estar, e que paraísos fiscais não são exatamente paraísos legais, ou seja, a legislação é porosa pros dois lados, permitindo, digamos, farta fraude que abstêm-se da legalidade para apropriar-se de fartos fundos, edm resumo: paraísos fiscais são paraíso para todo sujeito com fins ilegais, inclusive estelionatários inteligentes. 

O pano de fundo de quem diz que financiar moradia, pequenos proprietários, pequenas empresas, renda básica é sempre tratar tudo o que equilibra a balança econômica como custo, e fingir que é pateta quando fartos narcos do PIB saem sem muita fiscalização para enriquecer bancos.  

Dito isso é sintomático que o deputado Felipe Rigoni, um dos mais novos pets dos projetos neoliberais de financiamento de campanhas como o Renova e Acredito, não tenha nenhuma preocupação com a honestidade intelectual ao dizer que filhas de servidores recebem pensão milionária depois deles mortos, “esquecendo-se, pasmem, que os únicos servidores cujas filhas tem esse privilégio são as filhas de militate.s Um ato falho ou uma falha de caráter do ato? Não é difícil saber. 

A direita não quer respostas para a crise, porque não quer, o que quer é responder a quem os financia. E é por isso o discurso de ineficiência da coisa pública, sejam as universidades, que são responsáveis por nada menos que 99% da produção científica do país, mesmo subfinanciadas ou o SUS, responsável pelo atendimento médico a mais de 70% da população e um serviço público de ponta diante da quantidade de medidas de desmonte que sofre e seu subsianciamento, entre eles a remuneração à OSs, organizaçòes sociais, em vez de gestão pública direta. 

Essa opção de pagamento às OS em vez de financiamento direto é dito que é um meio de evitar corrupção e aumentar a eficiência, mas é aí que mora a raiz dos esquemas de corrupçào recentes. Cabral e Witzel são sócios indiretos de um esquema de corrupção cujo coração é a contratação de OS.  E parte da tentativa de tirar o Custo Aluno-Qualidade, do FUNDEB, feito por 83 deputados, é porque esses são financiados por quem defende que exista a possibilidade do dinheiro do FUNDEB ir para o custeio da educação privada. A ideia é sempre enfraquecer tudo o que é público, mesmo que isso tenha vários, inúmeros exemplos, de maior qualidade final, mesmo sucateados.  Seja na Educação, onde os Institutos Federais são os que melhor qualidade final demonstram no ENEM e as Universidades Públicas lideram em qualidade tanto na produção científica, como supracitado, quanto nos rankings internacionais reconhecidos pela CAPES, seja na saúde, onde o SUS é, apesar dos problemas é referência mundial em saúde pública. 

Por que os necroliberais e assemelhados,os pets de fundaçòes de bilionários e os neofascistas brucutus não mencionam dados e números e dizem que todos mentem, menos eles, quando se trata de saídas que ampliem a qualidade do serviço público ou sobre como é fundamental a participação do estado? Porque apontar a melhor qualidade do serviço público e a necessidade de participação do estado é tirar da boca de quem já lucra bilhòes nacos de desvios de finalidade financeira do estado para os cofres dos mais ricos. 

Se a Fundação Lemann, que alimenta Tábata Amaral e Felipe Rigoni,te avisar que o projeto que defende de educação via voucher falhou onde foi implementado, enquanto a educação pública brasileira reduziu o analfabetismo de 11% em 2004 para  8,7% em 2012 e para 6,8% em 2018, eles ficam com poucos argumentos para tentar de formas alternativas assumir o projeto de educação no país. 

E isso são dados com possibilidade imediata de mensuração, ou seja, são dados que foram produzidos pela mudança, de 1990 para cá, do sistema de análise da educação, onde sabemos hoje com pouca margem de erro, a quantidade exata de analfabetos e os problemas da educaçòa porque a redemocratização criou mecanismos de controle, de medição, como provas e pesquisaz, que são registradas no INEP, se pegarmos a ditadura, podemos reproduzir o que foi publicado na Revista Nova Escola:  “Nos chamados anos de chumbo, período de maior repressão do regime militar de 1968 a 1974, 24 a cada 100 crianças de 10 a 14 anos não sabiam ler e escrever, de acordo com dados da publicação Estatísticas do Século XX. A partir da década de 1990, a proporção de crianças analfabetas cai e, durante o período democrático, em média, apenas 5 a cada 100 crianças de 10 a 14 anos são analfabetas.” 

Ou seja, antes da redemocratização, quando o ensino público foi sabotado e desmontado por um movimento de aumento de subsídio público ao ensino privado e confessional, a educação sequer corava em ter quase 35% de crianças analfabetas e mais de um terço da população era completamente analfabeta. Em 2018, Bolsonaro foi eleito mentindo que a educação piorou na redemocratização falando de analfabetismo funcional só detectado pela melhoria do serviço público que mensurou a educação, mapeou suas deficiências e criou meios, como o FUNDEB, de combater os problemas apontados pelo aumento da participação do estado e da qualidade dela. 

A menção a Bolsonaro não é à toa e tem a ver com um projeto que liga a fofíssima Tábata Amaral, Lehman e o neofascista Jair Bolsonaro: um projeto de desqualificação do serviço público e da negação do Estado e da necessidade de rediscussão de seu papel na produção de caminhos para a resolução de problemas sociais e de forte investimento para a produção de um país que acabe com as desigualdades em todos os setores. 

Porque o coração aqui é que todos estes tem como projeto uma ideia de que o público, que perpassa pela mediação estatal, é causador dos problemas e que o Estado e a Sociedade não podem ter meios de redução de problemas que não seja gerenciado,de forma opaca e sem acompanhamento coletivo, do dinheiro saído da produção e do consumo. 

Sim, porque o serviço público precisa ser transparente a iniciativa privada não. E a acusação de corrupção ao público jamais toca nos corruptores privados das Teles, empreiteiras, empresas de informática, indústrias,etc, por que será? A direita não têm respostas porque não quer ter, ela tem projetos que servem a quem os financia. As propostas da esquerda produzem saídas e meios de financiamento de cada ação,seja a taxação de grandes fortunas para financiar renda básica universal, seja investimento estatal até em frentes de trabalho, se preciso, para a retomada da economia, seja redução do percentual de pagamento da dívida pública para ser ameno e nem mencionar a necessária auditoria da dívida para financiar empresas em nome da retomada do emprego, seja no fim do teto de gastos e revisão da reforma trabalhista para produzir segurança jurídica pro trabalho e garantir que as pessoas possam planejar a vida, consumo,etc,

sem o medo de não receber amanhã em casos de doença. 

A ampliação da democracia, com descentralização decisória, com ampliação de reforço às economias locais; O combate ao déficit de moradia, que impacta a economia dos mais pobres diretamente pelo aluguel; A revisão de toda a ideia de transporte público, que hoje impacta a produção e a qualidade de vida das populaçòes dos grandes centros; Tudo isso é pasśivel de ser implementado a partir de uma racionalização rela do processo administrativo e do uso dos tributos para a gestão do público sem falar em privatização, mas é preciso ai mais do que vontade política, é preciso compromisso público com a sociedade, e não com a casta que lucra com a exploração do resto. 

Não é surpreendente que esse campo, que vai do PSDB ao necro fascismo liberal de Jair Bolsonaro, não faça muita questão em contestar a quantidade astronômica de medidas do Governo Federal em tornar opaca qualquer fiscalização via Lei de Acesso à Informação (LAI).  

Você viu reclamações do PSDB às medidas de Bolsonaro de praticamente impedir rastreamento de munições? Nem eu.

Você viu protestos do PSDB de contestação às dificuldades que Mourão e Bolsonaro produziram para a obtenção de informaçòes via LAI? Nem nós. 

A questão é que toda a lorota sobre vinculação do serviço público a privilégios e corrupção, se negando a discutir seriamente meios de combater a ambos atingindo quem realmente é corrupto e privilegiado, é só para inglês ver enquanto pouco se faz concretamente para tornar o que já é de qualidade em algo universal, combatendo a corrupção e reduzindo privilégios de quem tem e não do professor doutor universitário que depois de trinta anos de serviço chega na remuneração inicial do procurador federal sem mestrado que acaba de entrar no serviço público. 

A direita diante de uma depressão econômica a caminho propõe privatizar o que é público a quem não investirá, porque sabe que estamos em depressão, regateia para pagar renda básica universal que incide diretamente no consumo e aquece a economia e nada faz para salvar pequenas e médias empresas enquanto dá um trilhão para banco fingir que empresta enquanto lucra com o rendimento. 

Para piorar, Jair Bolsonaro vetou a proibição de despejos durante a pandemia, atingindo diretamente quem vive de salário e está perdendo emprego ou meios de vida quando a maior parte das pequenas empresas fecham. O coração da economia fecha e o governo acha que você, sem emprego e precisando de doação para comer, pode ficar sem casa.  

Afinal de que vale a sua vida se quase noventa mil mortos sequer fazem o canalha mor da república e os partidos que o sustentam corar?  A questão é que o coração do projeto liberal, da direita, do necro fascismo liberal é a negação do Estado como princípio, dane-se se a populaç    ao depende dele, dane-se se há meios de manter um estado suporte e buscar meios de emancipação. 

Não há racionalidade nisso, há uma lógica metafísica que idealiza o mercado e sua suposta eficiência, acha que desigualdade é mito e pouco fazem para concretamente atacar as dinâmicas que fazem com que historicamente o descendente de indígenas e escravizados, impedidos desde 1850 de terem meios de sustento pela terra ou pelo mercado, consigam ter as mesmas chances de quem quando trafica drogas tem o privilégio de ser chamado de dono de Delivery de entorpecentes. 

Qualquer análise racional, que aponte onde está o dinheiro, porque ele precisa financiar programas de atuação pública, que faça uma estrutura lógica de explicação da relaç!ao da posse de terra com a desigualdade e do privilégio dos mais ricos diante dos mais pobres, que jamais tiveram as mesmas chances de quem tem milhões ou bilhòes a conta bancária, é tratada de menos técnica que o delírio liberal que privatização em uma depressão econômica é solução para alguma coisa além de agradar a bolsa de valores enquanto trabalhadores perdem suas casas e morrem noventa mil pessoas. 

A metafísica liberal não quer ser racional, quer dar lucro, mas só pra quem a financia. E é por isso que a prefeita de Pelotas recorre da bandeira vermelha para a cidade enquanto morremos, e não por seu emprego. Ela nunca ligou pro seu emprego.   

Sobre a autoria

Avatar

Gilson Moura Henrique Júnior

Comente