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CORONAVÍRUS a partir da experiência com o HIV: proposta de políticas públicas de saúde para o enfrentamento no Brasil

PSOL Pelotas
Escrito por PSOL Pelotas

Na última semana com a confirmação até ontem de 107 casos e suspeita de outros 1.485, a infecção pelo COVID-19 reacende o debate sobre a política pública de saúde no Brasil.

Temos percebido que as grandes ações de enfrentamento à epidemia surgem do Sistema Único de Saúde, escancarando que considerável parte rede privada não tem estrutura para atender essa demanda.

O vírus HIV mostrou durante a história que o SUS é muito eficaz e a partir dessa experiência algumas propostas de políticas públicas podem ser pensadas para o enfrentamento ao novo vírus que tem causado todo esse alarde:

  1. Revogação da EC 95/2016 e a DEFESA do SUS: a EC 95 congelou os investimentos nas políticas públicas por 20 anos, isso significa que durante VINTE ANOS não teremos aumento do investimento em saúde. Revogar essa emenda é urgente, o SUS só sobrevive e é eficaz se tiver investimento para isso. Não adianta pensar que vamos resolver de outra maneira porque toda a população depende do SUS, não só os pobres. O Coronavírus, como já falei, tem mostrado isso.
  2. Investimento também na EDUCAÇÃO e na CIÊNCIA: ao longo do ano passado pudemos notar uma tentativa do Governo Federal de contingenciar os investimentos em educação e produção científica com muitos cortes nas bolsas CAPES. A ciência só tem condições de dar respostas à altura de uma pandemia se tiver investimento permanente e as respostas são a longo prazo. Não dá pra sucatear a educação e exigir uma vacina da noite para o dia.
  3. Combate ao HIV é exemplo: muitas das políticas públicas só tiveram sua efetividade de implementação após a mobilização e escuta da população. É necessário que se escute as pessoas infectadas pelo coronavírus e a partir das suas demandas que também se pense estratégias de enfrentamento.
  4. Combate ao estigma e desigualdade social: o povo brasileiro tem a tendência de brincar e fazer meme com a sua realidade nada fácil. A proposta aqui é mais um convite à reflexão de como o estigma pode afastar as pessoas do diagnóstico e tratamento do que propriamente não “brincar” ou fazeMuito provavelmente todo esse estigma não seja projetado em pessoa infectadas pelo novo COVID-19, não se trata de um vírus transmitido por via sexual e esse fator foi um dos motivos para o HIV receber essa sobrecarga. Mas é importante refletirmos sobre como nossas ações e atitudes bobas cotidianas por vezes alteram inclusive o curso da história de propagação de um vírus.
  5. Não compartilhar FAKE NEWS: outro grande fator que contribuiu para o estigma das pessoas vivendo com HIV foi propagação de notícias com falta de informação, uma delas foi comparar o HIV a um câncer gay. Esse erro foi inclusive cometido pela mídia tradicional quando não se tinha tanta informação sobre o HIV. Evite compartilhar notícias sem verificar de fato fontes confiáveis.

Essas são algumas ações que o Governo Federal poderia tomar, mas algumas delas podem ser adotadas por nós mesmos. A saúde também é responsabilidade social de todas e todos e a DEFESA DO SUS também.

DEFENDA O SUS, a educação pública e a produção científica.

Rodrigo Rosa
Estudante de Gestão Pública da UFPEL
Pessoa Vivendo com HIV
Ativista do Mov. HIV/AIDS
Militante do Coletivo Juntos

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